Slow medicine: volta às origens?

Relativamente novo no Brasil, o termo slow medicine vem ganhando espaço nos últimos tempos como uma nova tendência. Termo utilizado desde 2002, quando foi citado pela primeira vez pelo cardiologista italiano Dr. Alberto Dolara, refere-se a uma abordagem médica que remonta às origens da medicina, quando o paciente era ouvido e percebido verdadeiramente pelos médicos, no lugar de apenas serem solicitados exames que serão interpretados por especialistas.

Tal tendência surge na tentativa de reverter um quadro que vem se agravando nos tempos modernos. Assim como nosso ritmo de vida, a medicina atual se caracteriza pela falta de tempo. Consultas rápidas feitas por doutores apressados para atenderem o próximo paciente, médicos desconhecidos, pacientes anônimos, toneladas de exames e nenhuma conexão verdadeira criada.

Esse quadro frustra não apenas os pacientes, que se sentem insatisfeitos com o atendimento recebido, mas também os próprios profissionais de saúde, que sentem-se desconfortáveis e frustrados com a qualidade de seu trabalho. Não raro, o próprio paciente já chega para uma consulta armado da intenção de realizar todos os exames possíveis e seu contato real com o médico limita-se a um calhamaço de papéis, que será rapidamente analisado e conduzirá ao diagnóstico. Não são raras as vezes em que essa situação desencadeia um ciclo vicioso em que o doutor receita remédios para amenizar sintomas e acaba produzindo outros, que exigirão mais medicamentos e assim por diante.

Já na visão dos adeptos da slow medicine, muitos dos problemas e desafios encontrados em nossa saúde são resultados da falta de equilíbrio que nosso estilo de vida produz e que esse desequilíbrio dificilmente será consertado por uma medicina rápida e impessoal. Através dessa abordagem, a ideia é identificar as raízes do problema e criar um acompanhamento de longo prazo, através da observação e geração de um passo-a-passo em direção à cura. Dessa maneira, espera-se conseguir trazer o corpo de volta ao seu equilíbrio natural, resultando na solução não apenas dos sintomas mais aparentes, mas também na melhoria de outros aspectos da saúde e da vida.

A slow medicine propõe que é necessário tempo para resolver questões mais profundas do que a simples análise superficial de um sintoma ou exame. Nesse contexto, o médico seria apenas um guia para reconhecermos as verdadeiras necessidades de nosso organismo e criar soluções baseadas nos tratamentos convencionais ou alternativos, que podem incluir o cultivo de relações interpessoais, cirurgias, envolvimento com uma atividade artística, etc.

Apesar de vista como uma nova tendência, a slow medicine vem resgatando a forma antiga de lidar com o paciente: uma abordagem mais pessoal, que possibilite a visão do paciente como um todo. Essa vertente não se opõe ao uso da tecnologia e avanços conquistados, mas propõe um uso mais consciente desses recursos. Podemos considerar que, através dessa nova mentalidade, estamos nos aproximando de um ponto de união entre a medicina moderna e altamente avançada e a medicina ancestral, cultivada principalmente pelos povos orientais, que enxergavam o indivíduo como a união de diversas esferas que se complementam.

 

Para saber mais: http://slowmedicine.com.br/essencial-conceito/

 

 

 

 

 

 

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